Novo arcebispo de Aparecida (SP) ajudou a fundar uma Conferência da SSVP

A Igreja no Brasil recebeu, nesta segunda-feira (2), a confirmação oficial de que Papa Leão XIV nomeou Dom Mário Antônio da Silva como novo arcebispo da Arquidiocese de Aparecida (SP). Aos 59 anos, ele deixa a Arquidiocese de Cuiabá (MT) para assumir uma das sedes mais emblemáticas do país, responsável pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Dom Mário substituirá Dom Orlando Brandes e terá dois meses para a transição até a posse.
Mais que uma mudança administrativa, a nomeação carrega um significado pastoral profundo, especialmente para a Sociedade de São Vicente de Paulo. A trajetória de Dom Mário se entrelaça com a história recente da expansão vicentina no Norte do Brasil.
Em 23 de julho de 2017, Boa Vista testemunhou um marco: a fundação da Conferência Bom Pastor, primeira Unidade Vicentina do Estado de Roraima. A iniciativa, articulada pelo Conselho Nacional do Brasil, nasceu com dez membros formados pela Escola de Capacitação Antônio Frederico Ozanam (Ecafo). Naquele momento inaugural, marcado por café comunitário, Missa em Ação de Graças e reunião de fundação, Dom Mário, então bispo da Diocese de Roraima, não apenas apoiou a criação da Conferência: ele caminhou junto.
Participou da cerimônia de posse, realizou visitas regulares e externou publicamente sua alegria com a presença vicentina no Estado. Suas palavras, na ocasião, ecoam ainda hoje como síntese de sua visão pastoral:
“A Conferência é o serviço à caridade, e isso é de extrema importância. Nós, da Diocese de Roraima, nos alegramos com ela. É uma forma de ver clara a mensagem de Jesus no Evangelho: de amar e servir os necessitados; de amenizar os sofrimentos das pessoas; de assistir os doentes; de fazer com que a caridade de Cristo continue produzindo frutos no coração de católicos ou não”.
Mais que apoio institucional, Dom Mário incentivou a integração da Conferência com as Pastorais Sociais e a coordenação diocesana, vislumbrando a expansão do trabalho vicentino por todo o Estado. Para ele, a caridade organizada não é apenas ação assistencial; é expressão viva do Evangelho.
Nascido em 17 de outubro de 1966, em Itararé (SP), Dom Mário cresceu em família católica. Iniciou sua formação no Seminário Maior Divino Mestre, na Diocese de Jacarezinho (PR), e é mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Ordenado sacerdote em 1991, foi nomeado bispo auxiliar de Manaus em 2007, bispo de Roraima em 2015 e, em 2022, arcebispo metropolitano de Cuiabá por nomeação do Papa Francisco. Atualmente, também preside a Cáritas Brasileira, organismo que atua em defesa dos mais vulneráveis.
Agora, ao assumir Aparecida — coração mariano do Brasil — Dom Mário chega com um histórico pastoral marcado pelo cuidado social e pela proximidade com iniciativas de caridade organizada. Sua nomeação acontece às vésperas da Romaria Nacional dos Vicentinos, prevista para o próximo dia 20 de março, o que confere ainda maior simbolismo ao momento.
Se em Roraima ele celebrou o nascimento de uma Conferência como “um fruto muito bom do Evangelho”, em Aparecida ele encontrará milhares de vicentinos que, todos os anos, renovam sua missão aos pés da Mãe Aparecida.
A história mostra que Dom Mário não é apenas um administrador eclesial. É um pastor que reconhece, valoriza e incentiva o serviço aos Pobres. E, para a família vicentina, sua chegada à Arquidiocese de Aparecida soa como continuidade de um diálogo que já vem sendo escrito com gestos concretos de comunhão e esperança.



